A Prefeitura de Toledo notificou extrajudicialmente, nesta sexta-feira (16), o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS), organização responsável pela gestão do Hospital Regional de Toledo (HRT). O documento aponta descumprimento do Contrato nº 0523/2023 e estabelece um prazo de 15 dias para que a instituição apresente defesa e restabeleça o atendimento integral à população.
A medida fundamenta-se em um parecer técnico da comissão instituída pela Portaria nº 307/2025, que identificou que a gestora não está cumprindo critérios de eficiência e equilíbrio econômico-financeiro. Entre as irregularidades citadas estão inconsistências contábeis e a falta de registro adequado de receitas, dificultando a fiscalização municipal.
Paralisação de serviços e falta de insumos
Desde outubro de 2025, o IDEAS tem emitido ofícios informando a interrupção de serviços essenciais. O relatório detalha falhas críticas, como:
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Suspensão de novos agendamentos de consultas;
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Fechamento temporário da Central de Esterilização de Materiais;
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Paralisação de exames de tomografia;
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Interrupção de atendimentos em cardiologia;
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Relatos de falta de pagamento a prestadores de serviços.
A secretária municipal de Saúde, Adriane Monteiro Santana, afirmou que a qualidade da assistência caiu drasticamente nos últimos meses. Segundo a secretária, o cenário reflete diretamente na rede de urgência do município.
“A situação começou a mudar a partir de outubro, quando o Município passou a receber ofícios do próprio instituto gestor informando a paralisação de serviços e a falta de insumos, cenário que coincidiu com as conclusões da comissão de verificação designada no ano passado”, destacou Adriane Monteiro Santana.
Impacto no atendimento e riscos contratuais
A falta de profissionais e insumos no HRT tem gerado um efeito cascata na saúde pública de Toledo, sobrecarregando a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Pronto Atendimento Municipal (PAM).
“A nossa preocupação foi motivada pela redução de serviços, pela equipe médica incompleta, pela falta de profissionais, materiais e equipamentos, o que tem represado pacientes na UPA e no PAM e aumentado filas de espera, inclusive para cirurgias. Agora, vamos aguardar a resposta para avaliar os próximos encaminhamentos”, concluiu a secretária Adriane Monteiro Santana.
Caso o IDEAS não regularize a situação no prazo estipulado, a Prefeitura de Toledo alerta que poderá adotar medidas judiciais e administrativas severas, incluindo a resolução contratual (rescisão do contrato de gestão).
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